Vivi num tempo em que os quintais
eram o lugar das brincadeiras de criança. Quintais sem muros. Onde se criavam
bichos soltos. Ainda não existiam calçadas.
Meu eu sagrado. Terra minha.
Minha semente pré-histórica.
O Universo onde canto, danço e teço
meu casulo.
Aprendi a levá-lo comigo.
Às vezes se faz lua, pássaro, ponte.
Há lugar que ainda não é.
Lugar, às vezes, é coisa projetada
por gente.
Quintal é fusão de assobio de mato,
de pássaro e de criança.
(as coisas visíveis são a soma e a
subtração de muitas outras invisíveis).
Meu quintal é meu espaço afetivo
É construído, transmutado,
dia-a-dia.
Está no tempo e não tem espaço.
Contém muita gente, gente que, como
eu, gosta de paz.
Meu eu sagrado. Que será sempre nós.
Silêncio musical.
Meu quintal é minha prece.
Jean Moreno, 1998.

Nenhum comentário:
Postar um comentário