quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Quintal



Vivi num tempo em que os quintais eram o lugar das brincadeiras de criança. Quintais sem muros. Onde se criavam bichos soltos. Ainda não existiam calçadas.




Meu eu sagrado. Terra minha.
Minha semente pré-histórica.
O Universo onde canto, danço e teço meu casulo.
Aprendi a levá-lo comigo.
Às vezes se faz lua, pássaro, ponte.
Há lugar que ainda não é.
Lugar, às vezes, é coisa projetada por gente.
Quintal é fusão de assobio de mato, de pássaro e de criança.
(as coisas visíveis são a soma e a subtração de muitas outras invisíveis).
Meu quintal é meu espaço afetivo
É construído, transmutado, dia-a-dia.
Está no tempo e não tem espaço.
Contém muita gente, gente que, como eu, gosta de paz.
Meu eu sagrado. Que será sempre nós. Silêncio musical.
Meu quintal é minha prece.



Jean Moreno, 1998.

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